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Até junho, militares da Força Aérea Brasileira se revezarão para atualizar as cartas dos principais aeroportos do país vizinho

Até junho, 22 militares da Força Aérea Brasileira terão se revezado para auxiliar a Argentina na atualização de procedimentos de navegação aérea e reestruturação do espaço aéreo, por meio da elaboração de procedimentos de navegação aérea baseada em performance (PBN - Performance Based Navigation). Este conceito reúne novos procedimentos que redesenham as trajetórias de voo para que sejam mais curtas e diretas.

A cooperação prevê a confecção de cerca de 60 cartas aeronáuticas de procedimentos de voo por instrumentos (IFP – Instrument Flight Procedures) para diversos aeródromos, incluindo as usadas em aeroportos mais movimentados, como Ezeiza e Aeroparque.

Equipes de especialistas do Instituto de Cartografia Aeronáutica (ICA), órgão do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), que seguem para a capital argentina a cada quinzena, são compostas por dois elaboradores de procedimentos e um cartógrafo. O trabalho de cooperação com os brasileiros iniciou em setembro de 2016, a pedido da Empresa Argentina de Navegação Aérea (EANA). A primeira equipe de técnicos aterrissou na Argentina em 20 de março deste ano.

Para o chefe do Departamento de Desenho do Espaço Aéreo da EANA, Rodrigo Devesa, o trabalho conjunto entre as instituições brasileira e argentina "é de grande importância e traça um excelente exemplo de benefício a toda região Sul-americana". "O ICA oferece um forte apoio à EANA na elaboração de novos IFPs em vários aeródromos da Argentina", avalia.

Segundo Devesa, no momento já foram elaborados, de acordo com os critérios específicos de elaboração de procedimentos de voo por instrumentos da Organização da Aviação Civil Internacional (OACI), nove IFPs em Catamarca, seis em Santiago del Estero, seis em Viedma, seis em Rio Grande e seis em Puerto Madryn. A projeção da EANA é que os novos procedimentos sejam implantados no espaço aéreo argentino em setembro.

"O pessoal do ICA está trabalhando com um grande compromisso e vocação, gerando um ambiente laboral muito bom e não apenas realizando tarefas específicas de desenho e cartografia, mas também trazendo experiências, opiniões, políticas de trabalho e apoiando o departamento de desenho da EANA a decidir em certas questões técnicas", exemplifica Devesa.

O “Projeto PBN Argentina” utiliza ferramentas computacionais, como o FPDAM (Flight Procedure Design and Air Space Management) e o Global Mapper, as mesmas utilizadas pelo Brasil. Além de disponibilizar a experiência adquirida ao longo dos últimos anos e reconhecida internacionalmente, os profissionais brasileiros realizam o treinamento prático final dos técnicos argentinos. Eles deverão prosseguir com o projeto para os demais aeroportos do país. O acordo entre os países prevê que todas as despesas da equipe brasileira sejam custeadas pela EANA.

“Vamos contribuir para elevar a segurança do espaço aéreo na América do Sul”, afirma o diretor do ICA, Coronel Geandro Luiz De Mattos, sobre a cooperação solicitada pelo país vizinho.

xperiência brasileira - No Brasil, a elaboração de cartas PBN se iniciou em 2009. Este tipo de navegação já funciona nas regiões de informação de voo (FIR) de Brasília, Recife, Belo Horizonte e no eixo Rio-São Paulo. Atualmente, o ICA trabalha em sua implementação na região Sul do país. O cronograma prevê ainda a implantação nas regiões Norte e Nordeste, com maior dimensão territorial, mas com menor fluxo de voo. Aqui, o PBN é um dos projetos do Programa Sírius, que tem o gerenciamento do tráfego aéreo baseado em satélites e comunicação digital. Ao lado de Estados Unidos, Europa e Japão, o Brasil integra o grupo que está mais avançado na implantação do sistema.

A otimização da navegação aérea é uma recomendação da OACI. Pela Declaração de Bogotá, os países signatários se comprometem a incluir o PBN até 2022.

Segundo o gerente do programa PBN Brasil, Major Eduardo Sardella da Silva, a colaboração com o país vizinho vai contribuir com a melhora da navegação aérea global. “Praticamente todos os voos vindos da Europa e da América do Norte passam pelo Brasil antes de seguir para a Argentina. A iniciativa vai ajudar a circulação na América do Sul como um todo”, avalia o oficial.

 

 

 

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